Soneto à liberdade

 

Longa será, por certo, a estiagem:

fazem antever as nuvens e os ventos.

Que se encham, pois, as malas de viagem,

que a vida exige assim nesses momentos.

 

E é bom, também, que o "viver-tristonho",

tal um corcel alado e renovado,

salte do cerne universal do sonho

e voe pelas planícies - imaculado.

 

E que visões de cata-ventos e moinhos

encontrem o sentido exato desse agora

na selva de pedra dos caminhos.

 

E mude-se enfim o sonho de outrora,

que tem levado a vida aos descaminhos,

a cada passo, a cada instante e hora.

O Jornal. 10.12.95

Luiz Nogueira Barros

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