Eu...
Eu sou aquele
das esperanças eternas:
peregrino entre a humanidade,
com mãos de carícias
plantando sementes de sonhos.
Pedinte das ruas
vejo as pessoas:
de olhares aflitos,
de passos trôpegos,
de ouvidos magoados,
de almas dilaceradas,
de corações partidos,
e ainda lhes suplico
irem adiante
que a vida é tênue,
mas denso é o sonho !...
Eu sou aquele
que sempre chego
e que sempre parto
de mão vazias
sem colher os frutos
do meu trabalho :
- sou a utopia
e estou sempre
amanhecendo.
Luiz Nogueira Barros